Pra ser sincero, um super-show
Inovador e excepcional! O show do duo gaúcho Pouca Vogal em Viçosa, ontem à noite, no espaço Fama, simplesmente inebriou os fãs com canções encobertas de arranjos fenomenais e bastante troca de energia. A performance intimista aliada à qualidade da letra ofertou o suprassumo em matéria de música por uma dupla movida pelo carinho e amizade entre si.
A pouco mais de dois anos na estrada, o projeto traz dois músicos consagrados e amigos de longa data: Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii (18 discos e cinco DVD’s) e Duca Leindecker, do Cidadão Quem (sete discos e um DVD). Juntos, formam o Pouca Vogal – assim chamado devido ao nome dos integrantes, cheio de consoantes e vogais escassas.
A dupla ofertou ao público um repertório seleto e diversificado que privilegiou as músicas do duo, como Depois da curva, Na paz, na pressão e Além da Máscara, mas não poupou àqueles que queriam as canções eternizadas pelas bandas anteriores. Humberto, por exemplo, com novos arranjos, narrou parte da história dos Engenheiros por meio de Toda forma de poder e Até o fim. Já Duca cantou, entre outras, Pinhal e O amanhã colorido de quando era do Cidadão Quem.
E como foi maravilhoso! Ficamos até confusos, pois não se sabia o que fazer: se olhar para as caras-e-bocas de Humberto, ou então cantar junto com canções, ou ainda se assustar com a qualidade sonora dos gaúchos. Aliás, eis aí o grande diferecial: a harmonia dos dois, algo meio dialógico, com os vários instrumentos únicos numa mesma freqüência. Humberto toca violão, viola, piano, gaita de boca, dobro, hamônicas e midi pedalboard, enquanto Duca manda bala na guitarra de afinações esquisitas, no pandeiro e no bombo legüero. Tudo isso sem perder o sentido intimista e sutil que caracteriza o duo. Simpleste incrível!
No mais, achei muito valioso esse novo trabalho. Desde o desmembramento do trio inicial Malts-Licks-Gessinger, em 1996, os Engenheiros do Hawaii não eram mais que um único Engenheiro na ativa. Humberto compunha, cantava e tinha os holofotes voltados pra si. A identidade da banda, obtida a duras penas pela guitarra apurada de Augusto Licks e pela presença abalável de Carlos Malts na bateria, arreferece-se. Agora com o novo projeto isso muda! Leindecker tem personalidade e carisma, além de muita simpatia.
A “menor banda de rock gaúcho de todos os tempo”, como diz Gessinger, pode significar meramente mais uma dupla para os desavisados. Mas para quem procura inovação musical encontra um banda completa. Afinal, como lembra Leindecker, “Arte tem que ser espontânea, não pode ser por encomenda se não vira propaganda”.
Ao som de "mais um" de platéia, eis que ressurge, ao fundo, o espectro dois grandes músicos para finalizar com chave-de-ouro: Infinita Highway. Quem conhece, sabe do que eu estou falando.
Valorize você também o trabalho deles: http://www.poucavogal.com.br/
E para quem ainda não conhece:

"Deve haver alguma coisa que ainda te emocione".
ResponderExcluirSim com certeza há... Esse show é o tipo de coisa que te faz acreditar na beleza da emoção!!!
Opa!
ResponderExcluirAgora sim consegui parar pra ler as postagens!
Ficaram ótimas, não vou resistir a olhar toda semana o que você, com muita competência, escreve...
Deus abençoe seu blog,amigo!
A música começa e "num piscar de olhos tudo se transforma", Pouca Vogal transforma corações e pensamentos e te envolve em um fluxo cuidadoso de sensações. Esse show ficará guardado em meus sentidos.
ResponderExcluirAdorei a publicação.
Você tem talento,moço
Boa sorte com o blog.
O Show foi maravilhoso! E eu q estava pensando em não ir, sai do Fama querendo mais. Qnd será o próximo hein? rs. Fiquei admirada com a riqueza de detalhes no seu post, as músicas, os instrumentos, a "banda",..., enfim, qro mais: Mais Pouca Vogal e mais resenhas, composições, relatos, etc... Fica com Deus Iaguito!!! ^^
ResponderExcluirProjeto Pouca Vogal é digno de sua descrição rica em detalhes descritivos!
ResponderExcluirO show de aproximadamente 01h40min, foi como um momento que paralisou, fiquei emocionada, feliz, anestesiada... sensações e sensações... O som da gaita de Gessinger levando o público ao delírio foi muito bacana, as músicas cantadas e aplaudidas contagiando a cada um ... A muito tempo não via nada parecido em Viçosa! Reascende o valor do que é raro e espontâneo!
Adorei o texto Iago... Estarei sempre que puder por aqui!
Música não se ouve, se sente...!