Estudos

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Resenha de filme: Silence

Um convite a ouvir em plenitude

O menino Khorshid: ouvir é necessário para viver efetivamente
            Siga o conselho, leitor: feche os olhos ao menos por alguns instantes e aguce os ouvidos. O crítico aqui deseja ardentemente que você extraia o suprassumo da obra de arte nomeada Silence, de Mohsen Makhmalbaf. Mas, para isso, é preciso se desvencilhar do convencional e partir para o universo onde um som vale por mil imagens.
Agraciados pela sensação inebriante de realismo a partir de sucessivos planos-seqüências, somos conduzidos ingenuamente a compreender o universo poético-subjetivo do menino cego Khorshid. Estupefatos diante da audição prodigiosa do pequeno afinador de instrumentos – sentido esse tão aguçado que transforma barulhos banais em música –, ficamos até mesmo duvidosos sobre qual caminho tomar na trama, haja vista o alargamento de possibilidades de construção da narrativa.
A velocidade da chuva torrencial perde a supremacia diante do som corpulento das gotas ao chão. E, de fato, o que é o arrancar de uma pétala sem aquele som ressignificado? Cinco dias ao lado de Khorshid, na verdade, são uma vida inteira descoberta na ignorância do silêncio para quem assiste.
A cena em que a amiga e condutora Naderah, apreensiva ante a perda inesperada de Khorshid, fecha os olhos em meio ao mercado tumultuado para, assim, compreender o enigmático sentido que o leva a ludibriar-se pelo universo dos sons aponta certo modo sensível de levar a vida. Valorizar a circunstância do circunstancial, do corriqueiro, do invisível para, enfim, viver, e não meramente existir.
Ativista de direitos humanos e renomado na arte de quebrar tabus, Makhmalbaf enobrece ainda mais seu renome a partir desta obra de arte do cinema iraniano. Sua pretensão de sinalizar para a valorização do som perante a imagem é a distinção irradiante de um diretor que ouve o clamor do coração de seus admiradores, acima de tudo.
Confira o trailler:


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